28 novembro, 2009

Zeus ou Júpiter, o deus dos deuses
























Estátua de Zeus de Olímpia, obra de Fídias, escultor ateniense do século V a.C., uma das sete maravilhas do mundo antigo (imagem reconstruída, visto que a original perdeu-se, eventualmente por vandalismo, talvez cristão)

«O nosso Zeus é um Deus de paz de de clemência, como convém ao protetor de uma terra harmoniosa e unida que deixou de conhecer a discórdia. Representamo-lo pacífico e benevolente, numa atitude natural, pois não é ele que dispensa a vida e todos os bens, o pai comum, o conservador e salvador de todos os homens?... A majestade da sua atitude revela o rei que comanda como senhor; a expressão amável e doce faz pensar no pai e na sua providência; o ar grave e augusto dá a conhecer o zelador das cidades e o legislador. A semelhança humana que lhe conferi representa simbolicamente o parentesco dos deuses e dos homens. O riso e a bondade que emanam da sua fisionomia falam de um deus amigo, o deus dos suplicantes, da hospitalidade e do refúgio. Enfim, o deus da fecundidade e da abundância transparece nessa alma simples e grande, manifestada pela atitude e nobreza da estátua, e que convém aos imortais que têm prazer em nos cumular de todos os bens. Tais são as qualidades divinas que me esforcei por traçar, através da única eloquência que é a minha arte, sem me servir da palavra».
Palavras de Dion Crisóstomo, autor grego do século
I d.C., falando em nome de Fídias, escultor grego do século IV a.C., conforme O conflito entre o cristianismo primitivo e a civilização antiga, de Louis Rougier, editora Vega, p. 120. O mesmo Dion Crisóstomo diz, também a respeito da estátua, mas como que se dirigindo a Fídias, o seguinte:
«Tu!, o melhor e o maior dos artistas, como é deleitosa e cara a imagem que soubeste criar! Como é duradoura a alegria que ilumina o coração de todos, helenos e bárbaros, que aqui vieram. Se alguém de entre eles carrega uma alma trabalhada por desgostos, ou se, por ter bebido a última gota da taça da infelicidade, o doce sono deixou de o visitar, parece que, posto em presença desta estátua, tudo o que a vida comporta de amarguras e penas será nele abolido. Deste modo, concebeste e realizaste uma visão que dissipa o luto e traz lenitivo a qualquer dor. Uma vez que não conhecemos, entre todas as criaturas, senão uma que possui a razão, é lógico a ela recorrer para representar a razão invisível, e emprestamos a deus a forma do corpo humano por ser receptáculo do pensamento e do conhecimento. Na completa ausência do modelo original, procuramos manifestar o inexplicável e o invisível por meio da imagem visível. Damos forma à força do símbolo para prender o imperceptível.
Pode surgir a objeção de que melhor seria não ter diante dos olhos dos homens nenhuma estátua nem representação figurada dos deuses, sob o pretexto de que é preciso que o nosso olhar se dirija exclusivamente para as coisas celestes. Efetivamente, graças ao impulso que nos aproxima da divindade, existe nos homens um desejo violento de a adorar e servir, de ficar perto dela, de a abordar com o sentimento da sua presença real, de lhe oferecer coroas de flores e sacrifícios. Tal como as crianças estendem em sonhos os braços para os pais ausentes, também os homens desejam estar sempre mais perto dos deuses e na sua companhia».
(
Luis Guillermo)

19 novembro, 2009

Pandora

Na mitologia grega, Pandora é "a que possui tudo". O mito conta que Pandora foi a primeira mulher criada, e, por isso, recebeu de vários deuses uma contribuição para sua formação. De Hefesto (Vulcano), ela recebeu o corpo, que foi moldado semelhante às deusas imortais. Atena (Minerva) ensinou-lhe a arte da tecelagem; Afrodite (Vênus) deu-lhe a beleza; e, de Zeus (Júpiter), ela recebeu uma caixa. Quando foi enviada para a Terra, ela recebeu ordens de Zeus de que nunca abrisse a caixa, porém sua curiosidade foi maior. Quando aberta, da caixa fugiram as doenças, a loucura e os sentimentos ruins. O mito explica, assim, porque existem tantos males na Terra.
Uma curiosidade é que a frase "a caixa de Pandora" é uma expressão muito utilizada quando se quer fazer referência a algo que gera curiosidade, mas que é melhor não ser revelado sob pena de se vir a mostrar algo terrível.
A imagem, abaixo, foi pintada por Jules Joseph Lefebvre, um pintor francês que viveu de 1836 a 1911.
Pandora, Jules Joseph Lefebvre, 1882, coleção privada

10 novembro, 2009

Apolo

Apolo, um dos mais importantes deuses do Olimpo, era filho de Zeus e da titã Leto. Possuía uma irmã gêmea, chamada Ártemis, deusa da caça.
Nas mitologias grega, romana e etrusca, Apolo foi identificado como deus em vários aspectos. Entre eles, deus da luz e do sol, da verdade e da profecia, do pastoreio, do tiro com arco, da beleza, da medicina e da cura, da música, da poesia e das artes.
O culto a Apolo começou muito antes dos registros da Grécia e estava tão propagado que diversas cidades receberam o nome de Apolônia, bem como se tornou comum, pessoas se chamarem Apolodoro ou Apolônio. Seus maiores santuários são Delfos e Delos.
Os animais associados ao deus eram o lobo, o golfinho, o corvo, o cisne, a cigarra, o falcão, a serpente, o rato e o grifo.
A lua cheia e a nova lhe pertenciam e os dias 7 e 20 de cada mês também. Mais tarde, o dia 22 de janeiro ficou marcado como o dia da sua homenagem.
Em Roma, Apolo era identificado como Febo.
De acordo com a mitologia, Apolo nasceu de um dos amores adulterinos de Zeus. Hera, descobrindo a gravidez da deusa Leto, proibiu que a mesma desse a luz em terra firme. E não bastando, colocou a serpente Píton em seu encalço.
Poseidon, compadecido dos sofrimentos de Leto, criou uma ilha flutuante chamada Delos, onde a deusa acabou dando à luz aos gêmeos, Ártemis e Apolo. Depois do nascimento, Zeus fixou a ilha no fundo do mar, e, posteriormente, ela foi consagrada a Apolo.
Com apenas três dias de vida, Apolo vingou sua mãe e matou Píton.
Apolo teve vários filhos: Asclépio, Aristeu, Troilo, Eriopis, Íon, Lino, Orfeu, Anfiso, Eleutério, Fílamon e Mopso. Outros, cujas mães são desconhecidas para a mitologia são: Cicno, Cíniras e Femónoe.
Apolo teve vários amores, mais o mais importante foi o amor por Dafne, uma ninfa que o rejeitou. Dafne foi o primeiro amor do deus, e, após ser transformada em loureiro, Apolo passou a consagrar a árvore.
Com relação à arte, a maioria das estátuas e pinturas de Apolo o mostra como um homem jovem, forte e bonito. Muitas vezes está nu ou vestindo um manto. Pode trazer uma coroa de louros na cabeça, o arco e flechas, ou uma cítara ou lira nas mãos, ou ainda, estar apoiado em uma árvore. Em muitos casos, a serpente Píton também é representada. Nas pinturas e mosaicos, pode ter uma coroa de raios de luz ou uma auréola.
Foi retratado inúmeras vezes ao longo da história. Das estátuas antigas, a mais famosa é o Apolo Belvedere, de Leocarés.

Dionísio (Baco)



Dionísio - Baco em latim - era filho de Zeus e de Sêmele, princesa tebana filha de Cadmo e Harmonia. Foi uma das vítimas da maldição lançada por Hefesto a toda descendência de sua mãe como vingança pela traição de Afrodite.
Sêmele, instigada por Hera, rogou a Zeus que a ela se apresentasse em todo seu esplendor. O deus a preveniu de que seria impossível a qualquer mortal resistir a tal visão, mas como tinha jurado jamais negar-lhe qualquer pedido, apareceu diante da princesa em sua aparência divina. Sêmele, que se encontrava grávida na ocasião, não resistiu e caiu fulminada por raios e trovões. Zeus, com o auxílio de Hefesto, retirou-lhe o filho do ventre e o costurou à sua coxa de onde, passado o tempo de gestação, saiu Dionísio.
O pequeno deus passou toda sua infância fora do Olimpo, pois, ao nascer, para fugir à implacável perseguição de Hera, foi levado por Hermes para ser criado por Ino. Hera, enfurecida com o gesto, puniu o casal, enlouquecendo tanto Ino quanto seu esposo, Átamas. Zeus, temendo nova investida da esposa contra o filho, achou por bem enviá-lo à Nisa para ser educado pelas Ninfas e Sátiros. Foi durante esse período que Dionísio descobriu a arte de fabricar o vinho assim como os efeitos inebriantes produzidos pela bebida.
Teve que realizar longa e árdua peregrinação até conseguir ser reconhecido como deus e adquirir o direito de participar da assembléia olímpica. Hera, mais uma vez interviu e fez com que fosse acometido por insanidade. Louco, vagava pelo mundo ensinando aos homens o cultivo da uva e a fabricação do vinho. Foi somente após ser purificado por Réia, sua avó, que o deus pode retornar a Grécia para instaurar ali seu culto.
Seu séquito era composto por diversas figuras míticas dentre elas Sileno, as Bacantes e os Sátiros, que o acompanhavam carregando troncos de videira, coroas de hera, taças cheias de vinho, cachos de uva e o tirso enlaçado com folhagens. As Bacantes ou Mênades eram as jovens que tomadas por loucura mística, pareciam tomadas pelo deus; Sileno vivia embriagado e era dotado de grande sabedoria e do dom da vidência; os Sátiros simbolizavam as forças incontroláveis da natureza vegetal e animal.
Em sua jornada para ser reconhecido como deus, castigava severamente todos aqueles que se recusassem a cultuá-lo.
Assim sucedeu quando o deus e seu alegre cortejo chegaram à Trácia e o rei Licurgo tentou impedí-los de por ali passar. Encolerizado, o deus vingou-se enlouquecendo o monarca. Chegando a Tebas, o rei Penteu também se opôs à instituição dos mistérios de Dionísio. Nova vingança, pois durante uma bacanal na qual compareceu disfarçado, o rei foi descoberto pelas bacantes, que, bêbadas e transtornadas, o dilaceraram. Também Alcítoe, Arsipa e Leucipa, filhas do rei Mínias, após cometerem inúmeras atrocidades motivadas pela loucura que foram tomadas, acabaram por ser transformadas em corujas pelo deus.
Na ilha de Naxos, Dionísio conheceu e se apaixonou por Ariadne que lá havia sido abandonada por Teseu . Fez da jovem sua esposa e com ela teve Enopião, Toante, Estáfilo e Pepareto; de seu romance com Afrodite nasceu Priapo, dotado de um falo descomunal.
Por fim, logrou alcançar o tão sonhado lugar junto aos imortais no Olimpo. Em sua homenagem eram realizadas quatro grandes festas: as Léneias, as Dionísias Urbanas, as Dionísias Rurais e as Anestérias, todas elas de caráter orgíaco que contavam com a participação de um elevado número de mulheres.
Deus do êxtase e do entusiasmo, levava com seu cortejo alegria e felicidade por toda a Grécia, onde também era considerado protetor das belas artes.




Cindy Sherman, Baco

Prometeu





Prometeu filho do titã Lápeto e Clímene e irmão de Atlas, Epimeteu e Menoécio, uma raça de deuses destronadas por Zeus. Prometeu chegou a terra, mas, viu que ela estava abandonada pelos deuses, então, para criá-los, prometeu arranca o barro do chão e mistura com suas próprias lágrimas e começa a moldá-las, até que elas obtenham as feições de um deus, ele gostou do que fez que esculpiu uma multidão de estátuas, mas faltavam a vida. Ele, então, insufla nas estátuas caracteres de animais: coragem, fidelidade, força, esperteza e avidez. As criaturas começam a se movimentar, mas falta-lhes um espírito, para torná-las capazes de ousar. Atena (Minerva), a filha de Zeus (Júpiter), a deusa da sabedoria, decide ajudar Prometeu. Ela pega uma taça cheia de néctar divino e entrega a todos aqueles seres já dotados de vida, de repente, sobre a cabeça de cada um surge uma luz, nova e bela. Agora, são homens têm alma, mas ainda não sabem o que fazer com ela. Pacientemente, Prometeu começa seu trabalho de mestre, à beira mar, explica a diferença entre o nascer e o pôs-do-sol. No meio da floresta ensina seus discípulos a domesticar os animais, depois os instrui na cura de muitas doenças, e como encontrar raízes e seivas e transformá-las em remédios, ensina-lhes a interpretar sonhos e também a compreender seus destinos aceitando o sofrimento e conquistar as vitórias. Por fim, abre a terra e os homens descobrem que a terra é rica e o mestre lhes ensina o jeito seguro de extrair essas riquezas. Agora, o homem pode reinar, conhecem a natureza conhecem a si mesmos, têm os cinco sentidos, uma vontade e uma força poderosa.

Prometeu queria uma raça forte que se igualasse aos deuses, então roubou o fogo e os homens não precisariam mais dos deuses. Temendo uma revolta e o poder que o homem agora tinham, os deuses se juntaram e resolveram enviar Pandora, uma mulher muito bonita, para seduzir o homem e com ela enviaram uma caixa que continha as desgraças para o mundo. O homem perde seu paraíso e com isso também aprende a humildade. Os deuses não contentes ainda precisavam punir Prometeu. Júpiter manda acorrentar Prometeu no monte Cáucaso, depois envia uma águia esfomeada para devorar-lhe o fígado, agora imortal. Durante o dia, a águia o estilhaça-lhe o fígado fazendo contorcer-se em terríveis dores, à noite o órgão se regenerava para a agonia da manhã seguinte. Foram trinta anos, mas Prometeu nunca pediu perdão nem renegou seus atos. Enquanto a enorme águia lhe triturava ele atormentava Júpiter afirmando conhecer um segredo seu. Passados os trinta anos, não suportando a curiosidade, Júpiter ordena à Hercules que liberte Prometeu. Então, ele revela a Júpiter o mistério, o deus andava apaixonado por Tétis, uma nereida que estava prometida a Peleu, mas Júpiter nunca permitia essa união. Prometeu revela Júpiter que se ele a esposar, ele terá um filho com ela e o filho mais tarde o destronaria. Para salvar seu poder ele entrega sua amada a Peleu. Prometeu volta ao Olimpo, mas depois de tudo que fizera torna-se mortal, e a única maneira de tornar-se imortal seria encontrar um imortal que consentisse em trocar de destino com ele. O centauro Quirão consentiu ferido por uma flecha, decide por fim ao seu sofrimento, e o titã criador participa outra vez dos banquetes e assembléias do Olimpo. Agora a paz no mundo. O mito de Prometeu contém três etapas. A primeira corresponde à criação do ser consciente que inclui o roubo do fogo, como elemento básico para elaboração das culturas e civilizações que a consciência humana agora podia empreender. A segunda etapa refere-se à sedução do homem pela mulher: Pandora é envida pelos deuses para fazer os homens perderem o “paraíso terrestre”. Ela destrói a solidariedade que havia entre eles e bloqueia o caminho vitorioso do trabalho. A terceira fase do mito narra a punição de Prometeu, ao ensinar o fogo aos homens, ele definitivamente liberta-os da dependência divina. Sem o fogo não seria possível transformar o mundo ambiente, e nem adaptá-lo às necessidades físicas de cada povo, em cada região. Ao redor do fogo, reuniam-se os homens primitivos, fazendo desse elemento um importante fator de sociabilidade.




Prometeu, do artista mexicano José Clemente Orozco

Eros

Pobreza e Recurso geram o Amor. No dia da festa do nascimento de Afrodite (Vênus), a bela deusa do amor, as taças de ouro rolavam, e os deuses embriagados riam.
Assim terminando a festa, surgiu à porta uma figura que lembrava Pobreza, surge Pênia, que vem à festa para mendigar os restos do banquete. De longe, Pênia começou a observar Poros (o Retorno), filho de Prudência. Embriagado, Poros vai em direção ao Jardim de Zeus(Júpiter)caindo ao sono.
Pênia como vivia à cata de recursos, foi até o jardim e assim deitou-se com Poros,concebendo o filho desejado Eros, o amor.
Gerado no dia do nascimento de Afrodite, o filho de Pênia nasceu um filho companheiro e servo da beleza, não sendo um filho sábio, mas esforçado, porque amava a sabedoria.
Eros não apareceu entre os deuses que povoam as epopéias de Homero, somente em meados do século VIII, através da obra de outro poeta grego, Hesíodo, que a compreensão do divino adquire organização e coerência.
Adotando o principio de que tudo tem origem ,Hesíodo mostra que primeiro surgiu o Caos(espaço aberto,matéria informe), e em seguida , a Terra e Eros, o Amor “criador de toda a vida”.
Somente mais tarde, na época Alexandria, é que Eros passou a assumir o aspecto de menino travesso. Para ressaltar sua imprevisibilidade, sua irracionalidade e sua inconstância, Eros tornou-se Cupido, uma criança freqüentemente alada, que fere os corações com suas flechas. Mas já agora Eros que perde sua dimensão cósmica passou a se transformar no buliçoso promotor de aventuras galantes entre os mortais.Essa evolução de caráter de Eros evidência-se também na arte.
Suas figuras mais primitivas consistiam em pedras toscas,sem qualquer elaboração.Depois ,o deus passou a ser retratado sob a forma de um adolescente ,não raro dotado de asas,que expressam a sua rapidez.

Eros e Psiquê
O que chame mais a atenção na mitologia de Eros talvez seja a estória de sua paixão por Psiquê, uma mortal, tão linda, que teria despertado a ira de Afrodite, que vinha perdendo a devoção que os mortais lhe tinham para a bela mortal. Afrodite enviou, então, seu filho Eros para fazer com que Psiquê se apaixonasse pelo homem mais feio que existisse. Mas Eros acabou se apaixonando por Psiquê, e os dois acabaram se casando, sem que, porém, Psiquê pudesse sequer ver o rosto do marido, pois ela pensava que esse casamento era um castigo dos deuses. Depois de resistir por algum tempo, Psiquê acabou por quebrar as regras imposta-lhas e viu o rosto de Eros que, enfurecido, abandonou-a. Mas seu amor por Eros era tão intenso que a bela Psiquê procurou Afrodite para pedir-lhe que intercedesse por ela, ajudando-lhe a encontrar Eros. Afrodite impôs-lhe, então, um período de punição que deveria ser cumprido para que Psiquê pudesse voltar a ver seu amado Eros. Depois de receber a ajuda de vários seres, Psiquê conseguiu cumprir todas as tarefas, e Zeus ratificou o seu casamento com Eros tornando-a assim imortal e unindo-a para sempre com o seu amor.



Amor, de Parmagianino (retratista italiano do século XVI )

Distanciando-se do primeiro sentido de Eros como divindade organizadora do Caos e criadora da vida, os artistas do Renascimento preferiram tomar conta como tema de suas obras a figura graciosa de Cupido , o incosciente deus do amor em que Eros acabou por se transformar.

09 novembro, 2009

Hércules/Héracles






"Hércules do Fóro Boário", em bronze, com a maçã das Hespérides; romano, século II a.C. (Museus Capitolinos, Roma).









Na mitologia grega, Héracles (Hércules, na mitologia romana) era filho de Zeus e Alcmena. Seu pai tomou a forma do marido de Alcmena, Anfitrião (que estava na Guerra dos Sete Chefes), e uniu-se a ela. Ao nascer, Zeus, para torná-lo imortal, pediu a Hermes que o levasse para junto do seio de Hera, quando esta dormia, e o fizesse mamar. A criança sugou com tal violência que, mesmo após Héracles ter terminado, o leite da deusa continuou a correr e as gotas caídas formaram no céu a via-láctea e na Terra, a flor-de-lis.
Foi Héracles o mais célebre dos heróis da mitologia, símbolo do homem em luta contra as forças da natureza.Desde que nasceu teve de vencer as perseguições de Hera. Tanto é que, com oito meses de vida estrangulou com as mãos duas serpentes que a deusa mandou ao seu berço para o matarem. Quando homem, sobressaiu-se pela sua enorme força.
A sua primeira façanha deu-se quando se dirigiu a Beócia, cidade próxima de Tebas, e perseguiu e matou apenas com as mãos um enorme leão que devorava os rebanhos de Anfitrião e de Téspio. A caçada durou cinquenta dias consecutivos, durante que Héracles foi hóspede de Téspio, que aproveitou para unir cada uma das suas cinquenta filhas com ele, de maneira a criar uma aguerrida descendência, conhecidos pelos Tespíadas, que se espalharam até a Sardenha.
Por livrar a cidade de Tebas de um tributo que tinha de pagar à de Orcómeno, o rei da primeira, Creonte (filho de Meneceu), casou-o com a sua filha mais velha, Mégara. Num acesso de loucura provocado por Hera, Héracles matou os filhos tidos com Mégara. Após recuperar a sanidade, Héracles foi a Delfos consultar um óraculo sobre o meio de se redimir desse crime e poder continuar com uma vida normal. O oráculo ordenou-lhe que servisse, durante doze anos, o seu primo Euristeu, rei de Micenas e de Tirinto. Pondo-se Héracles ao seu serviço, o rei, simpatizante de Hera, que não cessava de perseguir os filhos adulterinos de Zeus, impôs-lhe, com a oculta intenção de o eliminar, doze perigosíssimos trabalhos, dos
quais o herói saiu vitorioso.
Os doze trabalhos de Hércules
1.º) No Peloponeso, estrangulou o Leão da Neméia - filho dos monstros Ortro e Equidna - que devastava a região e cujos habitantes não conseguiam matar. Na segunda tentativa de matá-lo, sendo a primeira infrutífera, estrangulou-o após com ele lutar. Acabada a luta arrancou a pele do animal com as suas próprias garras e passou a utilizá-la como vestuário. A criatura converteu-se na constelção de leão;


Hércules e a Hidra de Lerna, de Antonio Pollaiolo









2.º) Matou o monstro filho de Equidna e do bisavô do leão de Neméia: a Hidra de Lerna. Era uma serpente com corpo de dragão misturado com o de um cachorro, com nove cabeças (uma delas parcialmente de ouro e imortal), que se regeneravam mal eram cortadas e exalavam um vapor que matava quem estivesse por perto. Segundo a tradição, o monstro foi criado por Hera para matar Héracles , e ele matou-a cortando suas cabeças enquanto seu sobrinho Iolau impedia sua reprodução queimando suas feridas com tições em brasa. Hera enviou ajuda à serpente – um enorme caranguejo, mas Héracles pisou-o e o animal converteu-se na constelação de caranguejo (ou Câncer). Por fim, o herói banhou suas flechas com o sangue da serpente para que ficassem envenenadas;
3.°) Alcançou correndo a Corça de Cerínia, um animal lendário, com chifres de ouro e pés de bronze. A corça, que corria com assombrosa rapidez e nunca se cansava, era Taígete, ninfa que, para fugir a perseguição de Zeus foi transformada por Ártemis no animal. Como ela tinha uma velocidade insuperável, Hércules a perseguiu incansavelmente durante um ano até que, exausta, foi atingida por uma flecha disparada pelo herói. Ferida levemente, foi levada nos ombros do herói até o reino de Euristeu. Em outra versão do mito, Heracles tinha de capturar a corça, mas sem machucá-la; ele a perseguiu durante um ano, até conseguir pegá-la com uma rede, porém ela acabou se ferindo. O herói pôs então a culpa em Euristeu, para que Ártemis se zangasse com ele. Em uma terceira versão, Hércules levou um ano para realizar o trabalho a seguir, que era capturar a corça que habitava o monte Carineu. Este animal parecia ser mais tímido do que perigoso, e sagrado para Ártemis; Hércules finalmente aprisionou-a e estava levando-a para Euristeu quando se encontrou com Ártemis, que estava muito zangada e ameaçou matá-lo pelo atrevimento em capturar seu animal; mas quando ficou sabendo sobre os trabalhos, concordou em deixar Hércules levar o animal, com a condição que Euristeu o libertasse logo que o tivesse visto.
4.º) Capturou vivo o javali de Erimanto, que devastava os arredores, ao fatigá-lo após persegui-lo durante horas. Euristeu, ao ver o animal no ombro do herói, teve tamanho medo que foi se esconder dentro de um caldeirão de bronze. As presas do animal foram mostradas no templo de Apolo em Cumas;
5.º) Limpou em um dia os currais do rei Aúgias, que continham três mil bois e que há trinta anos não eram limpos. Estavam tão fedorentos que exalavam um gás mortal. Para isso, Hércules desviou dois rios;
6.º) Matou no lago Estínfalo, com suas flechas envenenadas, monstros cujas asas, cabeça e bico eram de ferro, e que, pelo seu gigantesco tamanho, interceptavam no vôo os raios do sol. Com um par de castanholas feitas por Hefesto e dadas a ele por Atena, enxotou as aves.
7.°) A sétima tarefa de Hércules era levar o Touro de Creta vivo até Euristeu, que por sua vez entregaria-o a Hera. O touro era enraivecido e aterrorizava o povo da ilha grega de Creta, pois Poseidon, o deus dos mares, o havia oferecido a Minos, rei local, cini sacrifício, e o rei não teve coragem de sacrificar um animal tão bonito e tão forte. Hércules não só capturou-o como, montado no animal, levou-o até Euristeu.
8.º) Castigou Diómedes, filho de Ares, possuidor de cavalos que vomitavam fumo e fogo, e a que ele dava a comer os estrangeiros que naufragavam durante as tempestades e davam à sua costa. O herói entregou-o à voracidade de seus próprios animais;
9.º) Venceu as amazonas, tirou-lhes a rainha Hipólita, apossando-se do seu cinturão mágico;
10.º) Matou o gigante Gerion, monstro de três corpos, seis braços e seis asas, e tomou-lhe os bois que se achavam guardados por um cão de duas cabeças e um dragão de sete;
11.°) O décimo primeiro trabalho consistiu em trazer do mundo dos mortos o seu guardião, o cão Cérbero. Hades autorizou-o a levar Cérbero para o cimo da Terra sob a condição de conseguir dominá-lo sem usar as suas armas. Hércules lutou com ele só com a força dos seus braços, quase o sufocou, dominando-o. Depois o levou a Euristeu, que, com medo, ordenou-lhe que o devolvesse.
12.º) Colheu as maçãs de ouro do Jardim das Hespérides, este trabalho foi o mais difícil de todos, pois para encontrar o jardim, Héracles percorreu quase todo o mundo. Após ter encontrado o jardim ainda tinha de matar o dragão de cem cabeças que o guardava. Pediu a Atlas que o matasse e durante o trabalho foi Héracles que sustentou o céu nos ombros;
Em seus trabalhos, Hércules tinha frequentemente a companhia de um jovem companheiro (um eromenos) - de acordo com Licímnio e outros autores antigos - como por exemplo Iolau, seu sobrinho. Embora ele devesse inicialmente realizar apenas dez trabalhos, este auxílio fez com que ele tivesse de realizar dois a mais, já que Euristeu não contou o trabalho da Hidra, porque Iolau o havia ajudado, ou os estábulos de Aúgio, pelo qual recebeu pagamento pelo trabalho, e que foi realizado pelas águas de um rio.
Etimologia
O nome latino Hércules não veio diretamente do grego Herakles, mas antes é uma modificação do nome etrusco Hercle, derivado por sua vez do grego via síncope. Um juramento invocando Hércules (Hercle! ou Mehercle!) era uma interjeição comum no latim clássico.
Mitos de Hércules
Os romanos adotaram as histórias gregas sobre Héracles essencialmente inalteradas, acrescentando detalhes anedóticos próprios, alguns dos quais ligavam Hércules à geografia do Mediterrâneo Ocidental.
Na mitologia romana Aca Larência foi a amante de Hércules. Casada com Tarúcio, um rico mercador, e, quando este morreu, deu toda a fortuna que o marido lhe deixara para a caridade. Noutra versão do mito, era esposa de Fáustulo.
Na Eneida, Virgílio narra um mito sobre Hércules derrotando o monstruoso Caco, que vivia caverna sob o Palatino (uma das sete colinas de Roma).
Arte
As imagens romanas de Hércules baseavam-se nas imagens gregas helenísticas, e são muito diferentes das imagens do deus que aparecem nas pinturas em vasos da Ática. Pelo menos um dos aspectos do Héracles grego não foi adotado pela cultura romana: a sua relação ambígua com a sua patrona / antagonista, Hera.
Cultura popular
Desde o Renascimento poucas vezes fez-se a distinção entre Hércules e Héracles; a figura romana acabou assumindo o lugar da grega. Interpretações posteriores da lenda de Hércules o retrataram como um líder sábio e um bom amigo (muitas das adaptações para o cinema e televisão o retratam assim, por exemplo). Sua lenda perdurou, embora freqüentemente utilizada para se adequar à moda política do período. O personagem também teve uma influência inegável em diversos personagens da cultura pop moderna, além de ter sido adaptado diversas vezes para televisão, filmes e mesmo quadrinhos.
Numismática
Hércules foi o motivo de diversas moedas e medalhas comemorativas, a mais recente delas sendo a célebre moeda austríaca de prata 'Barroca', de 20 euros, lançada em 11 de setembro de 2002; um dos seus lados mostra a Grande Escadaria do palácio do príncipe Eugênio de Savóia, em Viena (atual sede do Ministério das Finanças da Áustria), com diversos deuses e semideuses em seus degraus, entre eles Hércules.

Medusa



























Vik Muniz, após a Medusa de Caravaggio, da série Pictures of junk

Caronte

Caronte, figura mitológica do mundo inferior grego, encarregado de transportar na sua barca os recém-mortos através do rio Estiges para chegarem ao inferno. O nome desse rio veio de um dos filhos do Sol e da Terra, que por ter fornecido água aos titãs, inimigos de Zeus (Júpiter), foi por ele transformado em rio infernal. Os mortos devem pagar pedágio, aquele que não tiver dinheiro fica chorando na margem do rio. Era costume dos gregos colocar uma moeda, chamada óbolo, sob a língua do cadáver, para pagar Caronte pela viagem. Caronte recebeu essa tarefa após ter tentado roubar a caixa de Pandora. Retratado muitas vezes com uma máscara de bronze ocultando sua face feia que faria os mortos repensar antes de entrar na barca. Só transporta aquele que teve o corpo devidamente sepultado . Segundo o mitólogo Thomas Bulfinch, ele “recebia em seu barco pessoas de todas as espécies, heróis magnânimos, jovens e virgens, tão numerosos quanto as folhas do outono ou os bandos de ave que voam para o sul quando se aproxima o inverno. Todos se aglomeravam querendo passar, ansiosos por chegarem à margem oposta, mas o severo barqueiro somente levava aqueles que escolhia, empurrando o restante para trás”.

A descrição para ele é a barba branca, longa e espessa usando vestes de cor sombria, manchadas do negro limo dos rios infernais. De pé sobre a barca e segurando o remo, é a representação mais comum feita pelos pintores. Um mortal só pode entrar co um ramo de ouro de uma árvore fatídica consagrada a Proserpina. Sibila (profetisa) deu um desses ramos para o lendário herói Enéias, quando este quis descer aos infernos para rever seu pai. Acredita-se que Caronte tenha dado passagem a Hércules, sem esse possuir o tal ramo. Como resultado, foi punido e exilado durante um ano nas profundezas do Tártaro.

Caronte ilustrado por Gustave Doré, para a Divina Comédia

08 novembro, 2009

Narciso



Narciso, Caravaggio


O nome Narciso deriva da palavra grega narke, "entorpecido" de onde também vem a palavra narcótico. Assim, para os gregos, Narciso simbolizava a vaidade e a insensibilidade, visto que ele era emocionalmente entorpecido e indiferente às solicitações daqueles que se apaixonavam pela sua beleza.
Narciso era um rapaz muito bonito e indiferente ao amor. Quando nasceu, seus pais, Céfiso e Liríope, perguntaram ao adivinho Tirésias qual seria o seu destino. A resposta foi que ele teria uma vida longa se não visse o próprio rosto. Muitas moças se apaixonaram por Narciso, mas ele não se interessou por nenhuma. A ninfa Eco, inconformada com a indiferença, afastou-se para um lugar deserto, onde definhou até que restassem somente seus gemidos. As moças desprezadas pediram vingança aos deuses. Com pena delas, o deus Nêmesis induziu Narciso a se debruçar sobre uma fonte de água depois de um dia de caça. Ao ver o próprio rosto, ele se apaixonou por sua imagem. Incapaz de afastar-se, perdido na contemplação de se mesmo, o jovem deixou de se alimentar, de dormir ou de sarciar a sede. Permaneceu nessa posição à beira da fonte, até se consumir por essa paixão impossível. No local de sua morte, nasceu uma flor amarela de beleza singular, cujo centro é rodeado de pétalas brancas, parecendo folhas.
O mito de Narciso tem sido objeto de vários estudos de renomados psiquiatras e escritores:
Freud afimava que algum nível de narcisismo constitui uma parte de todos nós desde o nascimento.
Andrew Morrison afirma que, em adultos, um nível razoável de narcisismo saudável permite que um indivíduo equilibre a percepção de suas necessidades em relação às de outrem. Na psicologia e na psiquiatria, o narcisismo exagerado é o que dificulta o ser humano a ter uma vida satisfatória, é reconhecido como um estado patológico e recebe o nome de transtorno de personalidade narcisista. Indivíduos com o transtorno se julgam grandiosos e possuem necessidade de admiração e aprovação de outras pessoas em excesso.
O mito de Narciso tem sido uma grande fonte de inspiração para os artistas, começando com o poeta romano Ovídio (livro III das Metamorfoses). Isto foi seguido em séculos mais recentes por outros poetas como John Keats, além de pintores (Caravaggio, Nicolas Poussin, Turner, Salvador Dalí, e Waterhouse). Na música, o mito propiciou inspiração a grandes compositores como Francesco de Caralli (1602-1676), Domenico Scarlatti (1660-1725) e Cristoph Gluck (1714-1787), entre outros. No mito de Narciso e Eco, que inspirou tantos artistas ao longo dos séculos, inclui-se uma terceira personagem: Pã, o deus agreste. Amante de eco, ele teria engravidado a jovem. Contudo, a aventura amorosa não durou muito tempo, pois ninfa Eco se apaixonou por Narciso. Para vingar a infidelidade da amante, Pã tirou-lhe a capacidade de falar, limitando-a a repetir o que os outros dissessem. Entre as dinvidades gregas, Pã é a que mais permaneceu em seu estado animal primitivo; venerado como força fecundadente da natureza, é descrito como um ser meio humano, meio animal, barbudo, coberto de pêlos negros, com uma expressão bestial no rosto, chifres na cabeça e patas de bode.




Narciso after Caravaggio, do artista brasileiro Vik Muniz

07 novembro, 2009

Ares, O Guerreiro

Ares (Marte, para os romanos) era o deus da guerra e o único filho de Zeus e Hera.
Hera designou Príapo como tutor de Ares, que lhe ensinou a arte da dança e, depois, a da guerra.
A visão de Ares que temos hoje, nos foi fornecida por Homero em sua "Ilíada", que descreveu-o como um sedento sanguinário que era freqüentemente derrotado e insultado por sua meia-irmã Atena.
Ares foi um deus de muitos amores, mas a sua preferida era Afrodite, a Deusa do Amor. Com ela, teve três filhos: Deimos (Terror), Phobos (Receio) e a filha Harmonia, que se casou com Cadmo e fundou a cidade de Tebas. Já Eros, o outro filho de Afrodite, pode ter sido filho de Ares ou, talvez, tenha sido uma força primal, presente desde os primórdios dos tempos.
Tanto Ares quanto Afrodite tiveram muitos amantes. De acordo com os mitos gregos, o deus Ares teve vários filhos e filhas. Como deus romano, Ares teve com Réia dois filhos: Rômulo e Remo. E, foi, especialmente em Roma que este deus era especialmente venerado.
Os Romanos identificaram-no como o Marte, o deus romano da guerra e agricultura (que eles tinham herdado dos Etruscos), mas entre eles, Marte tinha uma estima mais alta
Na mitologia, o deus Ares era tomado por um descontrolado e irracional frenesi que o levava a lutar e matar.
Ares é a personificação da ira que leva o homem a lutar ferozmente sem pensar em nada, pois ele fica cego e surdo e é levado pelo puro instinto selvagem. Neste deus da guerra se visualiza a agressividade nua e crua, antes que a civilização a moderasse e reprimisse.
Ares é visto como um tipo de demônio, tinha uma carroça com rédeas de ouro para quatro cavalo que soltavam fogo. Entre os deuses, Ares era reconhecido pela sua armadura de latão; ele brandia uma lança na batalha. Os seus pássaros agudos e sagrados eram a coruja de celeiro, o pica-pau, o bubo e, especialmente no sul, o abutre. De acordo com Argonáuticas os pássaros de Ares eram um bando de pássaros que lançavam penas em forma de dardos que guardaram o templo das Amazonas do deus em uma ilha costeira no Mar Negro.

Vênus e Marte (Sandro Botticelli, 1483). A deusa do amor, Vênus, venceu Marte, o deus da guerra e da violência: enquanto ele está mergulhando num sono profundo, ela o observa com atenção e segurança para o manter sob o seu controle.

06 novembro, 2009

Dédalo e Ícaro




Conta a história que Dédalo era o melhor e o mais conhecido dos artesãos e inventores da antiga Grécia. Quem quisesse algo engenhoso vinha primeiro à sua oficina em Atenas. Dédalo tinha um sobrinho, Talos, filho da sua irmã, Policasta. Talos tornou-se seu aprendiz, apenas com 12 anos, mas já mostrava saber mais que o mestre! Foi Talos quem inventou o primeiro serrote, a roda do oleiro e imaginou o primeiro par de compassos. A reputação de Talos espalhou-se de tal forma, que as pessoas começaram a trazer seus problemas mais complicados para Talos em vez de trazê-los ao mestre Dédalo. Cheio de ciúmes, Dédalo atraiu o garoto até o topo do templo de Atena empurrando-o para a morte. A mãe de Talos, Policasta, suicidou-se de tristeza, e Dédalo, juntamente com seu filho, Ícaro – uma criança vaidosa que não tinha a inteligência do primo – foram banidos da cidade de Atenas. Dédalo e Ícaro refugiam-se na ilha de Creta, onde Dédalo colocou sua habilidade e esperteza ao serviço do rei Minos. Mas perdeu a proteção do rei, quando Teseu matou o Minotauro e conseguiu escapar do Labirinto criado por Dédalo que, supostamente, era à prova de fuga. Furioso, o rei Minos mandou prender Dédalo e Ícaro. Enquanto Ícaro passava os dias a tratar, a cuidar de si, pois era muito vaidoso, Dédalo planejava como fugir de Creta. Era longe demais para nadar até a próxima ilha, e era igualmente impossível conseguir um bote devido à vigilância da armada do rei Minos. Finalmente, Dédalo concebeu um plano audacioso. Ele construiu dois pares de asas, tecendo as penas que caiam das aves que ali passavam e juntou-as com cera de abelhas.


Quando as asas estavam prontas, levou Ícaro para um canto. "Põe isto e segue-me", disse, - “mas cuidado para não voares demasiado perto do sol, ou perto demais do mar. Mantém um rumo entre os dois. Com estas asas, vamos sair daqui.” Os dois atiraram-se de um rochedo alto e voaram em direção ao horizonte. Durante muito tempo Ícaro seguiu o seu pai, mas, como era jovem e despreocupado, e estava a desfrutar do vento, começou a subir em direção ao céu, sentindo-se livre como um pássaro. Quando Dédalo olhou ao redor e não o viu, pôs-se a chamar "Ícaro! Ícaro!", ansioso. Mas não obteve resposta.

Contudo, no mar, lá embaixo, apenas um punhado de penas flutuavam nas ondas, marcando o local onde Ícaro caíra, pois o rapaz tinha voado perto demais do sol, e a cera que unia as asas derreteu-se como manteiga. A lenda diz que, quando Ícaro caiu no mar e morreu afogado, as penas de suas asas formaram um conjunto de ilhas, denominadas Icárias, próximas à Sicília. Foi no solo dessa região que Dédalo enterrou seu filho. Depois de sepultar o filho na Sicília, Dédalo recebeu do rei de Cócalo outro convite para servir ao Estado: aceitou. Não tinha mais forças para fugir, pois o naufrágio de Ícaro enchera sua alma de desalento e cansaço. Antes de morrer, ainda uma vez a imaginação do artista superou a angústia do homem, e Dédalo fundou uma escola de arquitetura.
É possível que Dédalo e Ícaro tenham realmente existido na Atenas da Antiguidade, com as funções que o mito lhes atribui. Mas o que ficou da lenda foi uma eterna lição de liberdade e criação artística.


03 novembro, 2009

Teseu e o Minotauro

Teseu era um grande herói de Atenas. Sabe-se que era filho de Etra, mas o seu pai pode ser Egeu ou Poseidon, pois Etra gozou na mesma noite da companhia de ambos. Egeo disse nessa mesma noite a Etra que se nascesse algum filho daquela relação não lhe pusesse o seu nome.




Teseu cresceu secretamente em Trécen, criado pela sua mãe. Aos 16 anos, a sua mãe disse-lhe que seu pai era Egeu. Teseu, movido pelo desejo de conhecê-lo, pôs-se a caminho de Atenas.




Egeu tinha-se aliado, entretanto, a Medeia. Esta, ao ver Teseu reconheceu-o como um perigo pois ameaçava a legitimidade do seu filho, até ali único herdeiro de Egeu.
Convenceu então Egeu que Teseu era um espião e planjeou envenená-lo, mas Egeu viu a espada que Teseu transportava e reconheceu-o como filho, ordenando que se festejasse por toda a cidade de Atenas aquele acontecimento.

Minos, rei de Creta, querendo vingar a morte de seu filho Androgeo, ordenava que todos os anos viessem de Atenas 7 donzelas e 7 rapazes para se imolarem, entregando-se ao Minotauro, um ser metade homem e metade touro que vivia num labirinto.



Teseu, ao saber de tamanha injustiça ofereceu-se para se juntar aos 13 desafortunados que iam sacrificar-se em Creta.
Minos, ao receber os 14 jovens, enamorou-se por uma das donzelas, possuindo-a aos olhos de todos, comportamento que Teseu recriminou. O seu dever, como filho de Poseidon, era proteger as virgens dos ultrajes dos homens. Minos riu desta intervenção, replicando que nunca Poseidon tinha sido delicado com as virgens que possuíra.

Teseu mergulhou no mar, escoltado por golfinhos em direção ao palácio das Nereidas. Aí, Tétis ofereceu-lhe uma coroa, que mais tarde levaria a Ariadne.
Esta era filha de Minos e apaixonou-se imediatamente por Teseu, prometendo-lhe ajudar a matar o Minotauro, desde que Teseu a levasse para Atenas e a coroasse sua esposa.
Este contrato foi decisivo para Teseu. Dédalo, autor do labirinto, oferecera a Ariadne um novelo de fio mágico e explicara-lhe como entrar e sair do labirinto. Ariadne ofereceu este novelo a Teseu e pediu-lhe que atasse a ponta na porta do labirinto não se separando nunca da outra ponta.
Este contrato foi decisivo para Teseu. Dédalo, autor do labirinto, oferecera a Ariadne um novelo de fio mágico e explicara-lhe como entrar e sair do labirinto. Ariadne ofereceu este novelo a Teseu e pediu-lhe que atasse a ponta na porta do labirinto não se separando nunca da outra ponta.




Chegando ao leito do Minotauro, Teseu matou-o. Não se sabe se ele o matou com as próprias mãos ou com uma espada que Ariadne lhe deu para o feito.








Terminada a sua tarefa, Teseu saiu do labrinto, seguindo o fio que desenrolara. Ariadne estava à sua espera. Conduziu-o até junto dos 13 jovens atenienses e embarcaram na penumbra afastando-se de Creta.
Ao desembarcar em Naxos, deu-se um episódio ainda por explicar. Teseu abandonou Ariadne na praia enquanto dormia e embarcou para Delos. Dizem uns que Teseu receava chegar a Atenas com a filha do rei de Creta, outros que Teseu se apaixonara por outra mulher e há ainda quem diga que Dionísio lhe aparecera em sonhos nessa noite e pedira Ariadne em sacrifício.

02 novembro, 2009

Cronos, Saturno

Cronos

A figura enigmática de Cronos representou, na mitologia, um claro exemplo dos conflitos religiosos e culturais surgidos entre os gregos e os povos que habitavam a península helênica antes de sua chegada. Cronos era um deus da mitologia pré-helênica ao qual se atribuíam funções relacionadas com a agricultura. Mais tarde, os gregos o incluíram em sua Cosmogonia, mas lhe conferiram um caráter sinistro e negativo.
Na mitologia grega, Cronos era filho de Urano (o céu) e de Gaia ou (a terra) , que tiveram 18 filhos, são eles: três Hecatônquiros, monstros com 100 mãos que administravam os terremotos; três ciclopes, os fabricantes de relâmpagos; e os titãs, seis irmãs e seis irmãos, dentre os quais, Cronos era um deles. Influenciado pela mãe e ajudado pelos irmãos, os Titãs, Cronos armado de uma foice que sua mãe lhe dera, corta os órgãos genitais do pai e os joga no mar, do sangue que se derramou sobre a terra procriaram os gigantes e da espuma formada no mar gerou-se Afrodite. Os Titãs destronaram seu pai, soltaram seus irmãos aprisionados e nomeou Cronos como seu rei.
Cronos aprisionou os Hecatônquiros e os ciclopes no Tártaro (lugar de tormento) novamente, logo ao tomar posse do reinado. Então Cronos casou-se com a irmã Réia, tiveram seis filhos, mas seu reinado era ameaçado por uma profecia segundo a qual um de seus filhos o destronaria. Para que não se cumprisse esse vaticínio, Cronos devorava todos os filhos que tinha com sua mulher (Réia), até que esta conseguiu salvar Zeus que quando cresceu, arrebatou o trono do pai, fazendo-o vomitar todos os outros filhos, ainda vivos e o expulsou do Olimpo, banindo-o para o Tártaro.

Zeus, filho de Réia e Cronos

Cronos é considerado como sendo o senhor dos deuses durante o ciclo das divindades tenebrosas, época em que governavam as forças destrutivas. Segundo a tradição clássica, Cronos simbolizava o tempo, e , por isso, Zeus, ao derrotá-lo, conferira a imortalidade aos deuses. Era representado como um ancião empunhando uma foice e freqüentemente aparecia associado a divindades estrangeiras propensas a sacrifícios humanos.

Saturno
Na mitologia romana, Cronos corresponde à Saturno. Divindade de origem itálica muito antiga, Saturno era um deus romano que foi sempre identificado com o deus grego Cronos.
Dizia-se que Cronos (agora Saturno) tinha vindo da Grécia para a península italiana depois de ter sido expulso do Olimpo por Zeus (Júpiter), seu filho, que o destronou e o atirou pela montanha abaixo. Júpiter, ou Zeus, tinha sido o único filho de Saturno salvo (pela mãe, Reia) de ser devorado pelo pai, que temia que algum dos seus descendentes lhe viesse a usurpar o trono.
Saturno, expulso da montanha sagrada, instalou-se então em Roma, na colina do Capitólio, onde terá fundado uma aldeia fortificada, Saturnia .
Outra versão alude ao facto de Saturno ali ter sido recebido por um outro deus oriundo da Grécia e ainda mais antigo que ele, Jano, a divindade bifronte. Jano habitava do outro lado do rio, numa colina que ficou chamada Janículo, em sua honra. A região de refúgio de Saturno ficou a chamar-se Latium, por aí se ter escondido (em latim, latere, estar escondido). Tornou-se assim o seu reino, rico e com um futuro promissor.
Terá sido Saturno, segundo a tradição, quem terá ensinado aos habitantes da região (chamados de aborígenes) a agricultura. Presidia igualmente às sementeiras, protegendo depois as culturas. Era o deus dos adubos, fertilizantes do solo. Para os camponeses, era por tudo isto o seu patrono. Também deu aos Aborígenes as primeiras leis, dando continuidade à obra civilizadora que Jano tinha começado. Foi esta a chamada "idade de ouro" itálica, tal era a prosperidade, paz e harmonia, desfrutadas. Saturno ficou a ser por isso um deus da "civilização", da Abundância (identificada com Reia). Naqueles tempos da idade de ouro, corriam rios de leite alternados com rios de néctar, e a terra produzia sem que fosse necessário o trabalho dos camponeses. Reinava a paz e a distribuição igualitária da terra e dos bens entre todos, como dizia Virgílio.
Saturno tinha como atributos, na sua representação iconográfica (em que surgia como um velho) uma pequena foice - que lhe servia para cortar o cereal nas searas, para podar as árvores e as vinhas, como servia também para castrar ou mutilar - ou uma serpe, conotando-se a sua lenda com a invenção e difusão do fabrico do vinho e da cultura e tratamento da vinha.
Os dias consagrados a este deus chamavam-se Saturnales, e eram os que encerravam o mês de Dezembro, que lhe era dedicado, pois era nesta altura que começava a germinação das plantas. As festas que nesses dias tinham lugar, as Saturnalias, entre 17 e 23 de Dezembro - que festejavam o solstício de Inverno, para fazer com que o Sol regressasse ao céu, bem como a abundância, a igualdade e a liberdade dos tempos dourados do reinado de Saturno no Lácio - tinham um caráter algo libertino e carnavalesco.
Eram um período de exceção no ordenado e disciplinado quotidiano romano, com encerramento das escolas e tribunais, pausa nas guerras e nos trabalhos políticos e administrativos. Durante estes licenciosos festejos, as classes sociais alteravam-se, sendo até abolidas por alguns dias.
Os escravos e servos eram então senhores, dando ordens e exigindo, e estes últimos faziam então de criados, servindo à mesa e obedecendo em tudo o mais. Era, pois a recordação de uma idade de ouro em que não havia distinção de classe e a liberdade a todos tocava.
Daí que no fim dos banquetes públicos que se realizavam nas festas, os mesmos em que se subvertiam as classes sociais, todos entoavam um hino em honra a Saturno, Io Saturnalia ("Viva as Saturnais"), uma memória e um apelo ao retorno da paz e riqueza da Idade de Ouro. O templo dedicado a Saturno em Roma existia desde o século V a. C.

Cronos devorando um de seus filhos.

SATURNO, por Goya

Vitorioso sobre o Céu, o titã Saturno uniu-se a sua irmã, Cibele, e nela engendrou uma multiplicidade de filhos. Entretanto, como a terra afirmasse que um de seus descendes haveria de subjulga-lo e tomar-lhe o trono, tal como ele próprio fizera com seu pai.
Saturno devorava os filhos, quando mal acabavam de nascer.
Este é o tema utilizado pelo espanhol Goya em uma de sua mais famosas telas. O quadro Saturno devorando a su hijo (Saturno devorando seu filho) é uma das pinturas à óleo sobre reboco que fazia parte da decoração dos muros da casa que Francisco de Goya adquiriu em 1819, chamada a Quinta del Sordo. Pertence, portanto, à série das Pinturas negras.
Há muitas explicações dadas na história da arte para esta imagem existente, alguma conexão psicológica feita à vida pessoal de Goya, que explica que através do seu relacionamento com seu filho Xavier, ou através de seu relacionamento com Leocádia Weiss, empregada doméstica, ou então como uma declaração sobre editorial velhice ou mesmo uma declaração política sobre o rei espanhol, em seguida, Ferdinand. Mas se Goya nada disse para explicar por que ele o pintou desta maneira. Assim, todas as explicações são suposições.
Ele tornou a imagem com rapidez e sem o brilho técnico e fino acabamento, Goya era bem capaz de fazer quando uma pintura especial, era para ser mostrado em público. Isso, provavelmente mais do que qualquer outra coisa, diz que Goya tinha pouco, ou nenhum, investimento em certificar-se um público-alvo compreendido na imagem.



Esboço do tema Saturno de Goya.

















Saturno devorando su hijo (Saturno devorando um filho), Francisco de Goya,1819-1823

Óleo sobre reboco, transladado para tela, 146 cm × 83 cm, Museu do Prado, Madrid, Espanha
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Atena

Atena era a deusa grega da sabedoria e das artes, conhecida como Minerva pelos romanos. Atena era uma deusa virgem, dedicada à castidade e celibato. Era majestosa e uma linda Deusa guerreira, protetora de seus heróis escolhidos e de sua cidade homônima Atenas. Única deusa retratada usando couraça, com pala de seu capacete voltada para trás para deixar a vista sua beleza, um escudo no braço e uma lança na mão.
Era protetora das cidades, das forças militares e Deusa das tecelãs, ourives, oleiras e costureiras. Atena foi creditada pelos gregos ao dar à humanidade as rédeas para amansar o cavalo, ao inspirar os construtores de navios em sua habilidade, e ao ensinar as pessoas a fazerem o arado, ancinho, canga de boi e carro de guerra. A oliveira foi seu presente especial a Atenas, um presente que propiciou o cultivo das azeitonas.
A Deusa Atena foi retratada com uma coruja, ave associada à sabedoria e de olhos proeminentes, duas de suas características.
Quando Atena era retratada com outro indivíduo, esse sempre era do sexo masculino. Por exemplo, era vista perto de Zeus ou era reconhecida atrás ou ao lado de Aquiles ou de Odisseu, os heróis gregos de Ilíada e Odisséia.

NASCIMENTO MITOLÓGICO

Zeus apaixonou-se por Métis e esta tornou-se sua primeira esposa. Contudo, foi advertido por sua avó Gaia de que Métis lhe daria um filho e que este o destronaria. Amedrontado, Zeus decidiu engolir Métis. Para isso, convenceu sua esposa a participar de uma brincadeira divina, na qual cada um deveria se transformar em um animal diferente. Métis se transformou numa mosca. Zeus aproveitou a oportunidade e a engoliu. Todavia, Métis já estava grávida de Atena e continuou a gestação na cabeça de Zeus.
Um dia, durante uma guerra, Zeus recebeu uma machadada na cabeça, de onde Atena saiu já adulta, com elmo, armadura e escudo. Atena se tornou a deusa mais poderosa, ensinou aos homens praticamente todas as atividades, como caça, pesca, uso de arco e flecha, costurar, dançar, e, como havia saído da mente de Zeus, sua marca é a inteligência.
Quando Atena e Posídon disputavam o padroado de uma cidade importante, estabeleceram um concurso: quem desse o melhor presente ao povo da cidade venceria. Posídon criou um rio salgado e, portanto, inútil. Atena presenteou a cidade com uma oliveira, que produzia alimentos, óleo e madeira. Atena venceu e a cidade recebeu o nome de Atenas.
Ao que tudo indica, Atena permaneceu virgem durante toda a sua história. Não queria ter filhos pois, desta forma, teria de abandonar as guerras pela justiça e viver uma vida doméstica.
Há quem diga que Atena se envolveu com heróis que acompanhava, e até mesmo com Ares, seu grande rival. Sabe-se, no entanto, que ela jamais teve filhos com deuses, e seus romances com homens guerreiros são um mistério.
Atena desempenhou papel importante no poema épico de Homero, a Ilíada e a Odisséia. Teve participação no julgamento de Páris, sendo uma das deusas rejeitadas, apoiou os gregos na guerra de Tróia e atuou como padroeira de Odisseu durante toda a sua longa jornada.

ATENA E ARACNE

Como Deusa das Artes, Atena foi desafiada numa competição de destreza por uma tecelã presunçosa chamada Aracne. Ambas trabalhavam com rapidez e habilidade. Quando as tapeçarias ficaram terminadas, Atena admirou o trabalho impecável de sua competidora, mas ficou furiosa porque Aracne ousou ilustrar as desilusões amorosas de seu pai, Zeus.
O tema de sua tapeçaria ocasionou a ruína de Aracne. Atena ficou tão brava que rasgou todo o trabalho de Aracne e a induziu a enforcar-se. Depois, sentindo pena, Atena deixou Aracne viver, transformando-a em aranha, condenada para sempre a tecer.

DEUSA TECELÃ

Como Deusa tecelã, Atena envolvia-se a fazer coisas que eram ao mesmo tempo úteis e belas. Era muito admirada por suas habilidades como tecelã, onde as mãos e o cérebro devem trabalhar juntos.
Para se fazer uma tapeçaria ou tecelagem, a mulher deve palejar e esquematizar o que fará depois, fileira por fileira, criá-la metodicamente. Esse método é uma expressão do arquétipo de Atena, que dá ênfase à previsão, planejamento, domínio da habilidade e paciência.
A Deusa não só ensina a tecer, mas também a trabalhar a lama, inventou as bridas e o carro de cavalos, ajudou na construção do cavalo de madeira com que se derrotou Tróia e construiu o primeiro barco.

ATENA E HEPHAESTUS

Durante o período da guerra de Tróia, a Deusa Atena dirigiu-se a Hephaestus, para que forjasse seu arsenal. O Deus do fogo aceitou o encargo e se pôs a trabalhar, apaixonado pela bela e decidida Deusa. Posêidon encorajou-o mais ainda ao dizer-lhe que Atena desejava ser possuída por ele.
Quando a Deusa prontificou-se a pagar pelo trabalho, o Deus da Forja disse que receberia tão somente seu amor como símbolo de gratidão e lançou sobre Atena tentando violá-la. A Deusa afastou-o energicamente, mas não antes que seu sêmen caísse acidentalmente em seu pé. Ela limpou-se com suas vestes de lã, mas um pouco do esperma caiu na terra. Gaia (a Terra), ao receber o sêmen, imediatamente engravidou.
Gaia deixou claro que não ia aceitar o filho resultante daquela estupidez e Atena, sentindo-se responsável pelo incidente, tmou a decisão de cuidar da criança, tão logo Gaia a tivesse. O recém-nascido recebeu o nome de Erictonio, foi levado do Olimpo até a corte do rei Cécrope, para mais tarde ocupar o trono de Atenas, como sucessor de seu pai adotivo.

A FILHA DO PAI

Talvez a maior diferenciação da Deusa Atena está em não ter conhecido e não ter convivido com a mãe, Métis. Na verdade Atena parecia não ter consciência de que tinha mãe, pois se considerava filha de um único genitor, Zeus. Na qualidade de tão somente "filha do pai", Atena tornou-se uma defensora dos direitos e dos valores patriarcais.
Ela era o "braço direito" de Zeus, com crédito total para usar bem sua autoridade e proteger as prerrogativas dele. Muitas dedicadas secretárias executivas, que devotam suas vidas a seus patrões, são bons exemplos das convicções da Deusa Atena.

ATENA COMO DEUSA DA SABEDORIA

Levando-se em conta que as Deusas e Deuses são arquétipos que todo ser humano tem acesso, parecde que o mito de Atena eplora antes de tudo a qualidade da reflexão. Suas histórias constituem uma meditação sobre o valor do pensamento minucioso e pausado, o de ver muito além da reação imediata ante a um acontecimento. A Deusa encarna a virtude da contenção, e seus olhos "resplandecentes" são os emblemas de uma inteligência lúcida que pode ver além da satisfação imediata.
Quando o arquétipo de Atena está ativo em uma mulher, ela mostrará uma tendência natural de fazer todas as coisas com muita moderação para viver em "justo equilíbrio", que era o ideal ateniense.
Todas as mulheres que desejam desenvolver as qualidades da Deusa Atena devem dar especial atenção à educação. Toda a instrução estimula o desenvolvimento desse arquétipo. Aprender fatos objetivos , pensar claramente, preparar-se para concursos e exames são todos excelentes exercícios que evocam Atena.

ORAÇÃO A ATENA

Deusa Atena, ouça a prece
De sua seguidora mais humilde
Gloria Deusa Atena
Busco seu amor, sua força, sua sabedoria
Ajoelho-me a teus pés, Atena, Deusa-Virgem
Eu a venero e a respeito
Sou tua seguidora mais fiel
Abençoe minha casa e meus familiares
Ajude-me com meu trabalho, meus relacionamentos, minha vida.
"Athena, Hilathi!"

22 setembro, 2009

Arte Paleolítico: Vênus de Willendorf




A Vênus de Willendorf é uma estatueta com 11,1 cm de altura representando estilisticamente uma mulher, descoberta perto de Willendorf, na Áustria.
Foi desenterrada em 8 de agosto de 1908, pelo arqueólogo Josef Szombathy. Está esculpida em calcário oolítico, material que não existe na região, e colorido comocre vermelho.
Em 1990, após uma revisão da análise desse sítio arqueológico, estimou-se que tivesse sido esculpida há 22.000 ou 24.000 anos. Pouco se sabe sobre a origem, método de criação e significado cultural.
A Vênus faz parte da coleção do Museu de História Natural de Viena.

Arte Paleolítica: cavernas européias


Arte Paleolítica: Outras cavernas

24 agosto, 2009

Arte Pré-Histórica - Paleolítico





A arte do período Pré-Histórico foi marcada por dois aspectos bem distintos, de um lado temos o naturalismo do Paleolítico e do outro, o geometrismo do Neolítico.
De acordo com pesquisas, o naturalismo do Paleolítico era uma arte totalmente ligada à natureza.
O homem do Paleolítico vivia em hordas isoladas, caçando e coletando frutos. Não possuía uma religião formalizada e não acreditava na existência da vida após a morte.
Neste período, tudo gravitava em torno da subsistência, o que leva a crer que a arte não possuía um outro propósito não ser o de conseguir um meio de obtenção de alimento. Dessa forma, desenvolveu-se uma forma de magia muito peculiar.

Os artistas eram os próprios caçadores. Devido isso, desenvolveram uma visão aguçada e profundos conhecimentos da vida animal. Conseguiam, assim, reproduzir com perfeição as formas dos animais, com detalhes e cores que só seriam vistos mais tarde na evolução das artes visuais.
As pinturas, em sua maioria, estão localizadas interior de cavernas, em lugares remotos, escuros e também sobrepostas, deixando uma nítida impressão de que não poderiam possuir um caráter decorativo, assim como não poderiam ser interpretadas como uma forma de expressão, o que leva a acreditar na tese de que eram utilizadas em rituais.
Quando o homem do Paleolítico retratava uma caçada, pintava animais com flechas atravessadas no corpo, acreditando que assim o animal sofreria uma verdadeira dor. As pinturas eram tidas como ser vivo, como um animal que existia realmente e não como uma simples representação.
Ainda assim foram encontradas, junto dessas pinturas, outras representações, como a de mãos nas paredes das cavernas. Esses achados se tornaram um tanto enigmáticos, e os pesquisadores não conseguem estabelecer uma ligação entre eles e as teses desenvolvidas para as pinturas. Seriam assinaturas? Por que essas mãos foram gravadas nas cavernas?
Essas formas de representação naturalísticas perduraram por longos anos, e aos poucos foram sendo transformadas com as próprias culturas humanas.
As formas, que antes possuíam extrema fidelidade com a natureza, passaram a não ser representadas com a mesma fidelidade ao real.
A partir desse momento o homem passa por um período de uma profunda e constante evolução, tanto em sua arte como em seu meio de vida, chegando assim no período Neolítico.


Postado por Vinícius, Mariana e Carla